Acesso comunitário à Água
- Notícias RESET

- 15 de jan.
- 2 min de leitura

O acesso à água em Moçambique, particularmente nas zonas rurais onde atua a JFS-RESET, continua a ser uma necessidade fundamental e urgente. Esta realidade expõe desigualdades de género muito acentuadas na gestão dos recursos domésticos. As mulheres são responsáveis por 88% da recolha de água nas famílias, seguidas pelas filhas (6%). Por outro lado, a contribuição de homens e rapazes é mínima — 3% e 1%, respetivamente. Assim, 93% da carga de trabalho relacionada com a recolha de água recai sobre as mulheres e raparigas.
Esta desigualdade de género implica um grande esforço físico e perda de tempo para as mulheres, afetando negativamente a sua participação na educação e na vida económica. Além disso, o acesso à água em Moçambique enfrenta problemas estruturais: falta de transparência, ausência de prestação de contas e fraca literacia sobre direitos e deveres em relação à água, dificultando o planeamento e a gestão comunitária.
Outro grande desafio é o tratamento da água: 93% dos agregados familiares não utilizam qualquer método de purificação, o que os torna extremamente vulneráveis a doenças hídricas como cólera, diarreias e infeções parasitárias. Apenas 5% fervem a água antes do consumo e apenas 1% usam filtros ou desinfeção solar, o que mostra um enorme défice de soluções de tratamento de água em zonas rurais.
A RESPOSTA DA JFS-RESET
Em 2023, a JFS-RESET lançou o projeto “Cotton for Safe Water” com o apoio da Aid by Trade Foundation, com o objetivo de fornecer acesso seguro à água às comunidades locais produtoras de algodão.
O projeto iniciou-se em 2022, com a reabilitação da Escola Primária Completa de Khomane, beneficiando alunos e famílias locais. Em 2023, foi expandido para 4 comunidades do distrito de Cuamba (Mepuata, Macuobazia, Nacussupa, Horonwana) e 1 localidade urbana em Metarica (Niputa).
As comunidades selecionadas têm em comum o fato de muitos agregados familiares caminharem entre 5 e 10 km para obter água, em condições muitas vezes insalubres e perigosas. O projeto foca-se na criação de fontes de água seguras, protegidas, com pontos de captação acessíveis e melhor gestão comunitária.
IMPACTO :
1 comunidade escolar de Khomane já foi equipada com soluções de acesso à água potável e saneamento, beneficiando os alunos e professores (2023);
O projeto já alcançou 5.500 pessoas, entre adultos e crianças, nas novas comunidades;
Estima-se que o projeto venha a melhorar de forma significativa os indicadores de saúde pública e de equidade de género, reduzindo o tempo gasto na recolha de água, promovendo melhor higiene e prevenindo doenças hídricas.
Este modelo integrado demonstra que acesso à água segura é um direito essencial, e que é possível promover saúde, equidade e desenvolvimento sustentável em zonas remotas de Moçambique, quando se investe em soluções locais adaptadas e participativas.
A RESET está comprometida com os Sustainable Development Goals (ODS). Este estudo está ligado a vários ODS. Os ODS, também conhecidos como Objectivos Globais, foram adoptados pelas United Nations em 2015 como um apelo universal à acção para acabar com a pobreza, proteger o planeta e assegurar que até 2030 todas as pessoas desfrutem de paz e prosperidade.


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