Fortalecer as comunidades com soluções energéticas sustentáveis, com forte impacto ambiental positivo
- Notícias RESET

- 15 de jan.
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ACESSO À ENERGIA EM MOÇAMBIQUE – PRINCIPAIS DESAFIOS
O acesso à energia em Moçambique enfrenta grandes desafios. A eletrificação rural é dificultada pela ausência de infraestruturas básicas, barreiras institucionais e baixa capacidade de pagamento por parte das famílias rurais, que muitas vezes dependem de lenha e pilhas descartáveis para as suas necessidades energéticas básicas.
A infraestrutura limitada para soluções energéticas sustentáveis agrava ainda mais a situação, deixando as famílias dependentes de práticas pouco eficientes e ambientalmente prejudiciais. A tarefa de recolher lenha recai, na maioria das vezes, sobre as mulheres, que representam cerca de 92% dessa força de trabalho, despendendo em média 50 minutos por dia, o que varia bastante conforme a região. Isso evidencia não só as desigualdades de género nos encargos relacionados à energia, como também o tempo significativo que esta atividade consome diariamente.
Outro problema crescente nas zonas rurais é o uso de pilhas descartáveis, indispensáveis para lanternas, rádios, telemóveis e outras necessidades básicas. Estas pilhas são caras, de curta duração e dificilmente recicladas, representando riscos ambientais sérios devido à má gestão de resíduos e contaminação do solo. Com a rápida expansão da cobertura de redes móveis, o carregamento de telemóveis tornou-se essencial para o quotidiano — e a energia solar passou a ser a única alternativa viável.
JOÃO ENERGIA
Um estudo de 2017 revelou que as famílias moçambicanas demonstram disposição para pagar por energia — desde que com soluções acessíveis e adaptadas ao seu contexto. Com base nisso, a JFS-RESET lançou o programa JOÃO ENERGIA em 2018, disponibilizando sistemas solares domésticos (SHS) a comunidades vulneráveis, através de um modelo de crédito a juro zero, com pagamento faseado. Estes kits fornecem iluminação, permitem carregar telemóveis e facilitam o estudo dos alunos à noite. A iniciativa inclui também apoio técnico e vendas por agentes locais, muitas vezes mulheres (“Eco-Warriors”), que recebem incentivos pela sua participação ativa, promovendo autonomia feminina e o desenvolvimento de competências empreendedoras.
IMPACTO E RESULTADOS
10.180 famílias agricultoras já beneficiam de sistemas solares domésticos fornecidos pela JFS-RESET até 2024.
1.425 agricultores utilizam pulverizadores solares ULVA, promovendo práticas agrícolas sustentáveis.
34 mulheres atuam como agentes comunitárias de energia solar, reforçando a economia local e a liderança feminina.
A taxa de reembolso dos créditos no modelo de pagamento em três anos é de 66%, mesmo em contextos de mercado desafiadores, o que revela a eficácia e aceitação do programa.
Além disso, a iniciativa “Cotton for a Better Future”, com o apoio da ABTE, implementou estações de carregamento solar em 10 escolas, beneficiando 3.144 estudantes. Cada escola recebeu um painel solar e 50 power banks para os alunos levarem para casa, permitindo estudar à noite e manter os telemóveis das suas famílias carregados. Isso incentivou a frequência escolar e o acesso à energia nas zonas mais isoladas.
A JFS-RESET acredita que a energia solar deixa de ser apenas um meio tecnológico e passa a ser um motor real de desenvolvimento rural sustentável e inclusão.
A RESET está comprometida com os Sustainable Development Goals (ODS). Este estudo está ligado a vários ODS. Os ODS, também conhecidos como Objectivos Globais, foram adoptados pelas United Nations em 2015 como um apelo universal à acção para acabar com a pobreza, proteger o planeta e assegurar que até 2030 todas as pessoas desfrutem de paz e prosperidade.


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